Sábado, 24 de Julho de 2010
és frio, frio como a agua do mar que o sol não aquece, mas que fica mais quente e normal, talvez mesmo casual assim que nos habituamos a ela, és livre, livre como uma bolha de sabão que corre pelos céus ate se desfazer em pequenas gotas mas nunca perdendo a liberdade, és infinito, infinito como o horizonte que se perde ao alcance de um simples olhar, és cruel, cruel como uma onda que bate na costa com tudo o que leva e depois puxa tudo de novo para que possa bater outra e outra vez, foges, foges como a areia que escapa entre os dedos pouco a pouco ate não restar um ultimo grao, imprevisível, imprevisível como o vento que muda constantemente a direcção, perigoso, perigoso como a profundidade incerta de um desconhecido conhecido que no fundo nunca chegamos a conhecer, magoas, magoas como farpas da madeira que se espetam nos pés descalços de quem sobe escadas velhas, desgastado, desgastado como as rochas centenárias dessa encosta vazia que não são mais que paisagem admirada por uns, criticada por outros, és solidão, solidão do silencio profundo da noite gelada, és indiferente, indiferente como uma ave que busca pela comida ignorando tudo o resto, iludes, iludes como o amanhecer num dia cinzento que mostra os primeiros raios de luz para depois esconder todos os outros, confuso, confuso como o nevoeiro cerrado que te esconde o verdadeiro caminho. és uma praia, uma praia sombria, solitária e distante, que ganha uma pequena luz de sentimento nas horas vagas contrárias ao verbo amar.
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Tudo de bom e tudo de mal.
São tudo o que alguma vez pudemos desejar e tudo aquilo que alguma vez quissemos evitar.
Sabemos de tudo isso e mesmo assim continuamos a amar, sentimos aquela dor que nos queima por dentro, mas mesmo assim continuamos a amar mesmo sabendo que nos vamos magoar e aquela dor irá voltar.
Talvez por sermos idiotas porque no amor todos assim somos, mas porque dentro dessa pessoa vimos algo que nos faz lutar.
Mesmo que isso signifique dor própria.
Porque o que é o amor sem ela?