Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Velha cidade...

A noite esconde com ela a obscuridade e o silencio barulhento dessa velha cidade, talvez ainda te recordes de quem la vivia, as luzes que sobressaem perante a profunda escuridão mostram a presença de quem ainda la vive...
As ruas que no inicio eram como um mistério por descobrir, uma imensidão de casas que pareciam apenas todas iguais e as paredes todas das mesmas cores neutras e vazias, conheces agora, conheces agora essas ruas, como quem conhece as rugas da sua própria papel com o decorrer dos anos, como quem conhece o beijo mais desejado e o desejo mais carente, as casas que ja fazem parte de ti, contam as vidas de quem la viveu, de quem la vive e de quem ja se foi embora...

Quantas são as historias que ficaram por contar? a solidão marca a vontade de sonhar que ficou pra trás, e agora já nao estamos aqui, o telefone nunca mais voltou a tocar, o café ficou frio, o sorriso captado por essa foto antiga perdeu-se por esse tempo ja vivido, e a nostalgia tocou a velha cidade.
As calçadas feitas de pedra semi gasta, por onde ja passaram os mais belos e luxuosos sapatos de saltos e os pes descalços mendigos que procuram sustento. 
Ainda te lembras quando moraste aqui? quantas pessoas encontraste no desenrolar dos dias quentes ou chuvosos e na enorme multidao que corre sempre para a mesma rotina clandestina, a minha historia foi apenas uma linha, nada mais que uma linha na historia dessa cidade, nada mais que uma palavra na historia da tua vida, tornamonos demasiado insensíveis para recordar e os acontecimentos desenrolaram em nós a estranha sensação de já nao sentir mais nada, não me és indiferente, apenas nao te quis recordar, e esses mesmos carros e essas mesmas lojas e esses mesmos jardins continuam no mesmo lugar, nao por nao terem evoluido, nao por nao se degradarem, apenas nao quiseram perder aquilo que restava deles.
As vezes ainda vejo as estrelas escondidas nesse profundo nevoeiro, mas elas já nao brilham da mesma forma, assim como os teus olhos perderam o seu brilho cativante, e o teu pequeno e timido sorriso se tornou mais forçado, mais cansado, mais monótono, agora a vida requer um esforço de que me sinto incapaz.

Aquele pequeno parque onde brincávamos quando crianças já nao é igual, parece agora mais pequeno, mais vazio, mais inutil e ainda assim tao intemporal.
Fui dormir para acordar sem nada no
estômago, sem nada no coração, sem ninguem para amar, ninguem em quem pensar, ninguem de quem cuidar e proteger, a maior escuridão já nao serviu de abrigo, nao me deu o que precisava, nao me mostrou o que antes mostrava, nao foi mais alem de ti, nem de mim, nem deste velha cidade apenas preparou um novo amanhecer.

6 Comments:

  1. NTwilighter said...
    "Fui dormir para acordar sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ninguem para amar, ninguem em quem pensar, ninguem de quem cuidar e proteger, a maior escuridão já nao serviu de abrigo" <-- gostei *.*
    NTwilighter said...
    hummm a Janela tem um novo blog sem nada para se poder comentar xD
    Speak said...
    gostei do blog! a música me deu um susto!kkkkkkkk! Muito bom!
    visita o meu:?
    Aerton - PoetaMudo said...
    obrigado por me estares a seguir Ana

    farei o mesmoo

    e obrigado pelos parabens
    NTwilighter said...
    O post nem é assim deprimenteeeee
    jorgedalte said...
    Gostei muito deste texto.
    Uma realidade da vida porque passamos e as questões surgem como súplicas do nosso coração.
    Texto cheio de uma visão quase perfeita do mundo em que vivemos e da realidade onde estamos encaixados como ponto minusculo de um todo.

    jorgito
    sigo-te

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